Saturday, May 03, 2008

Correio Braziliense BOLÍVIA
Morales pede unidade militar diante de ameaça
Presidente critica ex-comandantes que atuam a favor do separatismo em Santa Cruz, às vésperas da votação no departamento mais rico do país

O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu que os militares do país permaneçam unidos diante do referendo de autonomia previsto para amanhã no departamento de Santa Cruz, no maior desafio ao governo que tomou posse em 2006. Em uma cerimônia com oficiais das forças armadas em Cochabamba, Morales admitiu que há dissidências na instituição. Ele afirmou que alguns ex-comandantes estariam a serviço de um suposto objetivo separatista.

“Ex-comandantes me ensinaram a defender a pátria, e sinto que esse serviço continua, mas não é porque somos ex-soldados ou ex-comandantes que podemos ser influenciados com algumas versões de independência de algum departamento, de uma nova república”, disse o presidente. “Não é possível que alguns ex-comandantes tratem de falar mal das forças armadas (...) Por isso, peço às autoridades que orientem muito bem o povo boliviano e deixem de falar sobre independência (de Santa Cruz) ou sobre nova república”, insistiu.

O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, disse recentemente que uma “nova república” seria criada a partir do referendo, cuja validade não é reconhecida pelo governo nem pela Justiça. Com a autonomia, a oposição conservadora espera colocar a região à margem da reforma agrária prometida por Morales, entre outros projetos a serem adotados com base na futura Constituição de teor socialista.

Santa Cruz é a região mais rica e desenvolvida do país, e nela se encontram as mais estratégicas reservas de gás e petróleo bolivianas. Entre outros benefícios, o departamento pretende, com a aprovação do estatuto de autonomia, administrar por conta própria seus recursos financeiros e fechar acordos internacionais sem necessidade de intervenção do governo central.

Também ontem, o ministro dos Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, garantiu o fornecimento de gás a seus principais mercados de exportação, Brasil e Argentina, depois da nacionalização de quatro companhias estrangeiras de petróleo que operam no país: Chaco (British Petroleum), Transredes (Ashmore), CLHB (de capital alemão e peruano), além da Andina. “Garantimos o abastecimento porque a decisão de tomar o controle das companhias de petróleo foi planejada. Garantimos o abastecimento externo e interno”, ressaltou Villegas.


Correio Braziliense ACIDENTE NÁUTICO
Versões contraditórias
Condutores do barco e da lancha que se chocaram no Lago Paranoá divergem sobre momento da batida. Um diz que era dia e o outro, noite. Só com a definição do horário, polícia apontará responsável
Pablo Rebello

Contradições cercam as investigações do acidente náutico que ocorreu no fim da tarde de quinta-feira no Lago Paranoá, próximo do Palácio da Alvorada. Depoimentos dos donos das embarcações indicam horários diferentes para a colisão entre a lancha Old Saylor e o barco de pescas Tira-Onda, que resultou na morte do capitão do Exército Luiz Antônio de Mattos Lima, 38 anos. A noiva dele, a assistente social Leizelane Aparecida Tenório, 30, ficou gravemente ferida e encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base.

Para o delegado-chefe da 5ª Delegacia de Polícia (área central de Brasília), Damião Lemos, a definição do momento da batida é crucial para descobrir qual dos condutores estava errado. “Não há dúvidas de que houve negligência por uma das partes. Se já estava escuro, o barco de pescas não deveria estar no local, visto que não tem iluminação de navegação. Se estava claro, precisamos saber porque a lancha não viu o barco”, explica. O delegado pretende identificar testemunhas que tenham presenciado o acidente, como funcionários do Palácio da Alvorada e pessoas que estavam em outras embarcações próximas do local.

O dono do barco de pescas, o servidor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) Carlos Eduardo Ottolini de Oliveira, 54, prestou depoimento na tarde de ontem. Ele disse que saiu do Clube do Exército às 15h30 para passear com o amigo Luiz Antônio e a noiva, Leizelane. Os três foram até a Barragem do Paranoá e, na volta, pararam perto do Palácio da Alvorada para tirar fotos. Carlos Eduardo estava na poupa da embarcação. O capitão do Exército estava do lado direito e a assistente social, do esquerdo. O servidor conta que ainda estava claro quando a lancha atingiu o meio do barco de pesca, lançando os três tripulantes para dentro do lago.

Escuro
Dono da lancha, o técnico em telecomunicações Carlos Eduardo Almeida, 31, apresenta outra versão. Ele explicou que saiu da Associação dos Servidores do Tribunal de Justiça (Assejus) no final da tarde com um amigo, o analista de sistemas Rafael Vinícius Pereira, 30. Como estava com pouca gasolina e começava a ficar escuro, Carlos Eduardo julgou melhor se manter próximo às margens enquanto levava a lancha até a Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Apcef) para guardar o veículo. Segundo ele, como estava escuro, o farol da lancha estava acesso, mas ele não viu o outro barco e o atingiu.

Os dois relatos são parecidos sobre o que ocorreu após a batida. A lancha parou perto do barco de pesca, que estava de cabeça para baixo, e os dois tripulantes socorreram os passageiros da embarcação avariada. Rafael pediu ajuda ao Corpo de Bombeiros às 18h40. O condutor do barco foi o primeiro a ser encontrado e retirado da água. Ele contou que tinha outras duas pessoas na água. O piloto da lancha mergulhou e resgatou Leizelane, mas não encontrou Luiz Antônio.

Por enquanto, o delegado Damião prefere não falar em indiciamentos. O caso está sendo tratado como homicídio culposo (sem intenção de matar), que tem pena de dois a quatro anos de prisão. A delegacia instaurou inquérito e terá 30 dias para esclarecer como ocorreu o acidente.
 Colaboraram Maria Vitória e Ary Filgueira


Correio Braziliense Documentos em ordem

O acidente náutico também é investigado pela Delegacia Fluvial de Brasília. Diferentemente da Polícia Civil, que analisa o aspecto criminal do caso, os policiais fluviais têm a missão de estudar outros elementos que ajudem a esclarecer a colisão. “Temos que checar as condições e equipamentos de segurança de cada uma das embarcações para determinar o que houve”, explicou o delegado fluvial, comandante Jorge Silva Filho.

Ele avisou que já foi instaurado um inquérito administrativo, que tem 90 dias para ser concluído. O comandante adiantou que os documentos da lancha e do barco estão em dia. “Os dois condutores são habilitados para o exercício da navegação e as embarcações estão devidamente registrada na Capitania dos Portos”, detalhou Silva Filho. Policiais fluviais periciaram os veículos na tarde de ontem.

O comandante pretende tomar depoimentos dos envolvidos e de possíveis testemunhas. Uma das informações que a delegacia checava ontem diz respeito à presença de um veleiro nas proximidades do local do acidente. “Mas ainda precisamos localizar essa embarcação”, disse Silva Filho. Ele também procura saber se estava claro ou não na hora da colisão, visto que o barco de pesca não tinha condições de segurança para navegar no escuro.

O barco abalroado foi deixado próximo ao local do acidente, nas margens do Palácio da Alvorada. O veículo de alumínio apresenta um grande amassado na lateral. Já a lancha encontra-se na Apcef, para onde era levada antes da batida. (PR)

MEMÓRIA - Mortes na água
11 de novembro de 2007
O sargento reformado da PM Ismar Lopes de Oliveira, 47 anos, morreu perto do Clube Recreativo e Esportivo dos Subtenentes e Sargentos da PM (Cresspom), no Setor de Clubes Norte. Ele foi atropelado pela lancha modelo Cobra 16 conduzida por Davi Cândido Simões, 26. O dono da embarcação, Diego Torres Dias, 29, estava em uma prancha e era puxado pela lancha. Ismar e os colegas preparavam-se para mergulhar. A lancha teria passado a cerca de 20m do grupo.

8 de setembro de 2007
O garçom Giliová Nunes da Mata, 23, desapareceu durante um passeio de barco com 12 amigos pelo Lago Paranoá, próximo à Península dos Ministros. Os bombeiros suspeitam que ele se afogou. O grupo estava na lancha modelo Ventura 230, conduzida pelo mecânico Valdemir Xavier Pereira, 28, que não tinha habilitação para conduzir embarcações. O mecânico teria passado a direção para uma das garotas e, por volta das 23h, após uma curva brusca, o garçom caiu na água.



Correio Braziliense Embarcações devem seguir regras
João Campos

Assim como o tráfego terrestre e aéreo, o trânsito aquaviário tem regras para manter a segurança de embarcações e tripulantes. Respeitar os limites de velocidade e fazer uso dos equipamentos de segurança e de sinalização evitam tragédias. A fiscalização das atividades nos 111km do Lago Paranoá é dividida entre a Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA) e a Marinha. Ambas seguem a Normam 3, conjunto de regras elaboradas pela Diretoria de Portos e Costas para navegantes amadores de esporte ou recreio.

A frota náutica do DF, que inclui as de Goiás, é a terceira maior do Brasil. Só perde para a do Rio de Janeiro e a de Santos (SP). São 40 mil embarcações: 20 mil em Brasília. Em 2007, foram registrados três acidentes no Paranoá. A média é de 60 ocorrências por mês. A maioria está relacionada com o consumo de álcool e falta da documentação obrigatória.

A CPMA cuida do patrulhamento ordinário, como a autuação de condutores embriagados. A fiscalização da Marinha é administrativa. Os militares checam as permissões para dirigir veículos aquáticos e o cumprimento das normas de segurança. “Trabalhamos em conjunto 24 horas. Também combatemos os crimes ambientais”, explica o major Alexandre Alves, comandante da CPMA.

O Lago Paranoá, considerado por especialistas um ótimo ponto para navegação e lazer pela sua extensão e profundidade média de 10m, se enquadra na categoria Navegação Interior 1 da Norman 3: “tais como hidrovias interiores, lagos, lagoas, baías, rios e áreas marítimas onde, normalmente, não há dificuldades ao tráfego das embarcações”. “É uma pista em bom estado de conservação, mas, além de ter a embarcação registrada e ser devidamente habilitado junto à Capitania dos Portos, é preciso ter coletes salva-vidas e bóias de salvamento nas embarcações de médio porte”, detalha o delegado fluvial de Brasília, o comandante Jorge Silva Filho,

No caso da navegação noturna, ele ressalta a obrigatoriedade do uso de luzes nas laterais e na popa (parte traseira) da embarcação. “Há uma série de outros itens, mas esses são os cruciais para um navegação com segurança”, observa Silva Filho. Para ele, a lancha envolvida no acidente de quinta-feira estava em acordo com as exigências legais: iluminação, equipamentos de segurança e documentação em dia. “Ainda não se sabe as causa do choque, mas é provável que tenha sido a falta de iluminação do barco de pesca. Atravessar o lago sem luz durante a noite é como atravessar o Eixão de olhos vendados”, compara o militar.

Kit de segurança
Empresário do setor de embarcações e náutico há mais de 40 anos, Ari Lopes Cunha defende o uso de medidas simples para evitar acidentes como o ocorrido há dois dias. “Um kit com um mastro e uma luz 360º — com visibilidade de 3,5km de alcance — resolveria a situação. A grande maioria dos pesqueiros não apresentam nenhuma iluminação, o que é um risco permanente durante a noite”, explica. Segundo Ari, o mastro com a lâmpada e uma bateria elétrica para geração de energia custam, em média, R$ 200.


Correio Braziliense BRASÍLIA – DF
Perigo no céu

Chama atenção o número de acidentes com aeronaves de pequeno porte ocorridos do início do ano até 24 de abril. Na chamada aviação geral, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica registrou 38 ocorrências, número recorde para o período.

Correio Braziliense CONEXÃO DIPLOMÁTIMA
Negócios à parte

Como é comum no Oriente Médio, diferenças e queixumes saem de campo na hora de falar em negócios. É o que mostra a assinatura do acordo comercial entre o Estado judaico e o Mercosul, para o qual o Itamaraty funcionou como pivô. Israel e Brasil têm trocado regularmente visitas em nível ministerial, e ainda no mês passado começaram a sair do papel acordos recém-assinados para cooperação acadêmica, técnica e científica. Um grupo de especialistas brasileiros está a caminho para trocar experiências em assuntos de manejo e reaproveitamento de água, matéria na qual eles esbanjam excelência. (Nós esbanjamos a água propriamente dita...) Também são exploradas oportunidades de negócios no campo militar, em contatos com os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).

Folha de São Paulo Pentágono lança ofensiva na internet
Sem revelar patrocínio claramente, Defesa dos EUA mantém sites noticiosos no exterior para promover seus interesses
PETER EISLER

O Departamento da Defesa dos EUA está criando uma rede de sites de notícias em línguas estrangeiras e contratando jornalistas locais para escrever sobre os acontecimentos correntes e produzir outras formas de conteúdo que promovam seus interesses e contrabalancem a mensagem de extremistas. Os sites noticiosos foram inspirados em iniciativa semelhante desenvolvida no passado visando os Bálcãs e o norte da África e são parte de uma ação do Pentágono para expandir as "operações de informações" na internet.

A iniciativa não foi revelada publicamente. No caso do iraquiano Mawtani.com, no ar desde outubro, só um link no pé da página revela o patrocínio do Pentágono. À primeira vista, parece um site convencional. Grupos de defesa da liberdade de imprensa dizem que os sites são enganosos e podem facilmente ser confundidos com noticiários independentes.

"O que eles estão tentando é controlar a mensagem, contornando a mídia e apresentando a versão deles diretamente aos usuários; é uma responsabilidade séria informar as pessoas qual é a fonte dessas notícias", diz Amy Mitchell, diretora-assistente do Projeto de Excelência em Jornalismo.

Funcionários do Pentágono dizem que os sites são uma forma legítima e necessária de promover os objetivos políticos dos EUA e rebater as mensagens dos extremistas religiosos e políticos. Eles afirmam ainda que os EUA e seus aliados têm sido superados na batalha por levar informações a audiências do Iraque e outros países.

"É importante conquistar a atenção dessas audiências estrangeiras e informá-las", disse Michael Vickers, secretário-assistente de Defesa para operações especiais e esforços de estabilização.

"Nossos adversários usam a internet em benefício próprio, de modo que temos a responsabilidade de rebater suas mensagens com informações precisas e verossímeis."

América Latina
O Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas está criando um site semelhante ao mawtani.com para as audiências latino-americanas. O Comando do Pacífico, que cobre a região asiática, também está interessado em estabelecer um site noticioso, segundo um porta-voz da Marinha.

Em memorando distribuído em meados de 2007, o secretário-assistente da Defesa Gordon England informou todos os comandantes regionais de que o desenvolvimento de sites como esses era "parte essencial da responsabilidade ao formular um ambiente de segurança em suas respectivas áreas".

O conteúdo dos sites noticiosos é redigido por jornalistas locais contratados para escrever reportagens que se enquadrem aos objetivos do Pentágono. Militares ou empresas terceirizadas revisam as matérias para garantir que sejam compatíveis com esses objetivos. Os repórteres só são pagos por trabalhos postados nos sites.

Os sites noticiosos se seguem ao lançamento no ano passado, pelo Pentágono, de uma "iniciativa transregional", com o objetivo de criar "um mínimo de seis" sites noticiosos dirigidos pelos comandos militares dos EUA, segundo notificação do Comando de Operações Especiais a empresas interessadas em operar esses sites.

"Os jovens nas ruas gostam da internet, e essa é a maneira pela qual eles se comunicam, sabem do que acontece no mundo, se mantêm informados. E eles escolhem com cuidado as fontes de notícias que usam", disse o coronel Jerry O'Hara, do Exército. "Temos de estar envolvidos nisso a fim de garantir comunicação efetiva."

"Isso é deliberadamente enganoso e debilita a imagem do jornalismo como observador objetivo", rebate Marvin Kalb, pesquisador do Centro Joan Sorensen de Imprensa, Política e Questões Públicas na Universidade Harvard. Ele aponta que boa parte da audiência que o Pentágono visa atingir vive em regiões do mundo onde as pessoas esperam que as notícias sejam controladas pelo governo. "Somos a exceção, e, infelizmente, tornamo-nos cada vez mais parecidos com o resto do mundo quando agimos assim".
Tradução de PAULO MIGLIACCI



Folha de São Paulo Clinton diz que Brasil tem responsabilidade e honra de preservar a Amazônia
DANIEL BERGAMASCO

Presidente dos Estados Unidos entre 1993 e 2001, Bill Clinton declarou ontem em palestra em Nova York que a floresta amazônica dá ao Brasil, ao mesmo tempo, a "mais dura" responsabilidade sobre o futuro climático do planeta e o "privilégio" de poder assumir o desafio de preservá-la.

Diante da platéia de empresários, políticos e artistas brasileiros, Clinton disse: "Desejo que estivesse aqui ouvindo, e não falando. Porque não há país no mundo que faça mais esforços para encontrar um caminho para desenvolvimento sustentável para salvar o mundo do aquecimento global do que o Brasil (...) Sinto que vocês têm um grande problema [desmatamento], mas têm também uma sorte grande de ter a Amazônia. É uma honra ter a responsabilidade de preservá-la."

A palestra foi parte do 2º Fórum de Desenvolvimento Sustentável, organizado pela ONG Anubra (Associação das Nações Unidas Brasil), do empresário Mário Garnero, da Brasilinvest.

O ex-presidente americano mencionou o fato do álcool de cana-de-açúcar, cuja produção predomina no Brasil, ser mais eficiente que o de milho, comum nos EUA. Contudo, disse ele, é preciso zelar para que a plantação do produto não gere desmatamento.

Em discurso anterior, no mesmo fórum, Paula Dobriansky, Secretária-Adjunta de Estado para Democracia e Relações Globais, cobrou os países emergentes sobre a redução de emissão de gás carbônico. "Não adianta nada só os Estados Unidos cortarem", afirmou ela.


Jornal do Brasil COLUNA GILBERTO AMARAL
Na Antártica/Dia da Vitória
Gilberto Amaral

Na Antártica
Na próxima semana as duas Casas do Parlamento estarão envolvidas em atividades dedicadas ao continente Antártico. O objetivo é trazer mais informações sobre as pesquisas realizadas pelo Brasil na Antártica, que vêm auxiliando no entendimento dos diversos fenômenos climatológicos e vinculados à fauna e flora do Brasil. A programação inclui exposição, seminários, exibição de filme e uma Sessão Solene.

Dia da Vitória
O Dia da Vitória, para os mais jovens, vitória dos aliados contra o nazismo na 2ª Grande Guerra Mundial, dia 8, será revivido no Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Com a presença do ministro da Defesa Nelson Jobim, do vice-presidente José Alencar e dos comandantes militares, várias personalidades serão condecoradas com a Comenda da Vitória. Os brasileiros fizeram bonito e demonstraram bravura nos combates, principalmente em Monte Castelo.


O Dia Exército de prontidão
De plantão nas matas do Leme para impedir ataques ao Forte Duque de Caxias, militares fazem alerta à polícia para não ser confundidos com traficantes no caso de tiroteio durante a noite
Paula Sarapu

Rio - Para evitar que traficantes refugiados na mata dos morros Chapéu Mangueira e da Babilônia, no Leme, se aproximem do Forte Duque de Caxias, sentinelas do Exército estão em posições estratégicas desde o início da semana. Policiais do 19º BPM (Copacabana) e do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (Gpae) chegaram a ser alertados, por telefone, para ter cuidado nas operações e não “confundir” os militares do Corpo de Guarda com bandidos que têm feito da mata campo de batalha desde o dia 21.

O subcomandante do Centro de Estudos de Pessoal do Exército, que funciona dentro do forte, coronel Nilson Rodrigues, disse que “a área militar é sempre reforçada quando há conflitos de gangues”, mas que não há riscos à segurança da base. A área militar na Rua Coelho Cintra, onde ficam as casas de militares sobre o túnel que liga Botafogo a Copacabana, também está em alerta. A polícia afirma que os bandidos invasores chegam e fogem das comunidades por lá.

Há dois dias, os moradores do Leme não escutam tiroteios. O Serviço Reservado do 19º BPM tem informações de que o bando invasor, ligado a José Ricardo Ribeiro Rosa, o Cagado, teria deixado o Morro da Babilônia, tomado dos rivais há cerca de 15 dias. PMs do Gpae continuam ocupando as duas favelas e o bairro está com policiamento reforçado.

Os intensos confrontos têm alterado a rotina dos moradores. Um casal que mora no fim da Rua General Ribeiro da Costa contou que, para chegar em casa, prefere seguir pela Rua Gustavo Sampaio e entrar pela contramão da Rua Anchieta. Tudo isso para não passar em frente à Ladeira Ary Barroso, um dos acessos às favelas.

Já a professora Luciana Almagro, 32 anos, evita cortar caminho na volta para casa, quando sai do Shopping Rio Sul. “Por causa da mata, por onde eles entram e saem da favela, a gente decidiu trocar o caminho. Pegamos mais engarrafamento, mas não subimos pela Coelho Cintra”, disse ela, ao lado da sobrinha Júlia, 8, que está fora de casa desde a invasão. “Ela mora na Ladeira e não quer voltar. Está muito impressionada.”

A estratégia dos taxistas é não passar pela Rua Coelho Cintra — antigo ponto de descanso — em alguns horários. “Qualquer movimento na mata, mesmo durante o dia, já chama nossa atenção. Tenho medo que ‘bonde’ pegue nossos táxis para fugir”, contou F., taxista há 15 anos.


O Estado de São Paulo Pequim constrói base naval nuclear, diz revista
AFP

A China está construindo secretamente uma grande base naval nuclear na ilha de Hanan, no sul do país, revelou ontem a revista britânica de defesa ‘Jane’s’. Em sua última edição, a revista afirma ter conseguido confirmar a existência da base com a análise de fotografias de satélite tiradas pelo DigitalGlobe.

“Pequim parece construir uma importante base naval subterrânea que poderia significar o fortalecimento de suas capacidades estratégicas”, afirma a publicação. Para a revista, o governo chinês quer reforçar o controle sobre a região e defender o acesso a vias marítimas vitais.


O Globo Buscas a piloto de helicóptero recomeçam hoje
Co-piloto é sepultado no Rio. Mau tempo atrapalha o resgate
Dicler Filho

Bombeiros do 26º Grupamento, de Paraty, e mergulhadores do Grupamento de Buscas e Salvamento, do Rio, com auxílio de uma equipe da Capitania dos Portos, realizaram ontem, pelo terceiro dia consecutivo, buscas na tentativa para localizar o piloto Manoel Afonso de Souza Pereira, de 59 anos. A equipe de resgate encontrou pequenos pedaços da fuselagem da aeronave. As buscas terminaram no início da noite, mas serão retomadas na manhã de hoje.

O piloto desapareceu após o helicóptero prefixo PR-IPO, da empresa Cosan, cair no mar na quarta-feira, na Praia de Laranjeiras, próximo a Trindade, a 500 metros da costa de Paraty. O acidente aconteceu quando o helicóptero retornava para São Paulo.

A assessoria de imprensa da Cosan não informou o número exato de passageiros que saíram de São Paulo, na quarta-feira, e foram deixados pela aeronave em um condomínio de luxo na Praia das Laranjeiras. Eles embarcaram na capital paulista.

O corpo do co-piloto Carlos Eduardo Jesus Azevedo, de 58 anos, foi sepultado ontem no Cemitério do Caju, no Rio. Ele foi resgatado na noite de quarta-feira, logo após o acidente.

Segundo a Cosan, os dois pilotos eram cariocas e moravam em São Paulo.

Os destroços da aeronave não foram encontrados pela equipe de resgate. A estimativa é de que o helicóptero poderá ajudar na identificação das causas do acidente, que aconteceu a 500 metros da costa.

As buscas foram reforçadas com um aparelho conhecido como Cyberscan, que possibilita uma varredura no mar, onde a equipe trabalha, ou seja, na Praia de Laranjeiras. Seis barcos são utilizados nas buscas. Os trabalhos de resgate foram prejudicados pelo mau tempo.



O Globo Disputa atrasa criação de novas linhas de barcas

Pouco mais de um ano depois do anúncio da abertura de novas licitações de transporte aquaviário para a linha de aerobarcos Niterói-Praça Quinze e para a linha de barcas São Gonçalo-Rio, muito pouco foi feito. Em abril do ano passado, o secretário estadual de Transportes, Júlio Lopes, anunciou a concorrência depois de uma série de acidentes envolvendo as embarcações das duas empresas responsáveis pelo transporte hidroviário: Barcas S/A e Transtur. O motivo de tanto atraso, de acordo com a Secretaria estadual de Transportes, seria uma disputa judicial com as duas empresas, que não querem perder o direito de explorar as linhas.

O Globo OBITUÁRIO
Deputado Ricardo Izar, aos 71 anos

Presidente do Conselho de Ética da Câmara, o deputado Ricardo Izar (PTB-SP), de 71 anos, se destacou durante a crise do mensalão, em 2005. Ele foi reeleito presidente do Conselho de Ética em março passado, quando derrotou o petista José Eduardo Cardozo (SP). A eleição de Izar foi considerada uma derrota para o PT, que trabalhava para ter à frente do colegiado um nome mais afinado com o partido e com o governo.

Izar começou carreira política em 1964, como vereador em São Paulo, pela Aliança Renovadora Nacional (Arena). Depois, foi eleito deputado estadual para três mandatos e, em 1988, assumiu a Câmara em Brasília, filiado ao antigo PFL, hoje DEM. Nos sucessivos mandatos, passou pelo PPB do ex-governador Paulo Maluf antes de ingressar no PTB.

Durante a Constituinte, teve 147 propostas aprovadas, o maior número individual de emendas incorporadas ao texto constitucional. Formado em direito, era pós-graduado em direito penal pela PUC-SP, onde foi presidente do Centro Acadêmico 22 de Agosto.

Ricardo Izar morreu às 16h de ontem, em São Paulo. Ele estava internado desde o fim de março na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital do Coração, onde foi submetido, no dia 2 de abril, a uma cirurgia para correção de aneurisma na aorta. De acordo com boletim médico, Izar morreu por falência de múltiplos órgãos, em decorrência de complicações no processo de pós-operatório de cirurgia de dissecção de aorta.

Parlamentares que integram o Conselho de Ética da Câmara lamentaram a morte de Izar. O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) contou que visitou o colega no início da tarde de anteontem, e que o petebista começava a voltar à consciência após longo período sedado:

- Era um grande amigo, bom presidente, homem sério, competente. Eu lastimo muito a falta de Ricardo Izar.

O deputado Efraim Filho (DEM-PB), o mais jovem do Conselho de Ética, com 29 anos, disse que Izar, que estava no sexto mandato, era uma referência para os parlamentares iniciantes:

- O trabalho no conselho era um referencial, para mim, pela forma com que ele conduzia. É uma perda para o Congresso, que já tem uma carência muito grande. Ele buscou a verdade, independentemente de estar agradando a determinado parlamentar.

O velório do deputado começou ontem à noite, na Assembléia Legislativa de São Paulo, e o sepultamento está previsto para a tarde de hoje, no Cemitério do Araçá, no Centro da cidade. Casado com Marisa Izar, o deputado deixa dois filhos e uma neta.


O Globo País enviará energia para Argentina
Fornecimento, porém, não garante retomada de vendas de trigo ao Brasil

BRASÍLIA. O Brasil vai enviar para a Argentina 800 megawatts (MW) de energia entre maio e setembro, mas poderá estender até 1.500MW, caso necessário. Parte da energia cedida pelo Brasil deverá ser paga em dinheiro. O volume que não for usado terá de ser devolvido entre setembro e dezembro.

O acordo foi anunciado ontem pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, após encontro com o ministro argentino de Planejamento Federal, Orçamentos Públicos e Serviços, Julio Miguel De Vido. As bases da troca haviam sido acertadas inicialmente durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no início de 2008, a Buenos Aires.

- As quantidades que forem utilizadas e não pagas pelos argentinos serão devolvidas em forma de energia durante a primavera - afirmou Lobão.

A energia fornecida pelo Brasil deverá ser, prioritariamente, de hidrelétricas. Em segundo lugar, poderá ser enviada energia gerada por usinas a gás. As térmicas a óleo só enviarão energia em último caso.

Em meio às discussões com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, sobre o valor da energia de Itaipu paga pelo Brasil, Lobão foi veemente em ressaltar que a energia gerada pela hidrelétrica binacional não será repassada.

Presente ao encontro, Marco Aurélio Garcia, assessor de assuntos internacionais da Presidência da República, foi categórico ao negar qualquer relação entre o empréstimo de energia brasileira com a retomada das exportações de trigo argentino:

- Não é uma moeda de troca. São assuntos diferentes. (Gustavo Paul)

Wednesday, April 30, 2008

Tuesday, April 22, 2008

Jornal do Brasil Redução em Reserva Legal pode ser de 50%
Mudanças no Código Florestal preocupam ambientalistas
Márcio Falcão

Sem muito alarde, deputados articulam na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara alterações no Código Florestal brasileiro. As mudanças que estão sendo costuradas deixam os ambientalistas em alerta. A principal preocupação é com os efeitos para as florestas do país. O ponto central prevê a redução, para fins de recomposição, da área de Reserva Legal na Amazônia de 80% para 50% nos imóveis rurais. A área de preservação pode ser reduzida para até 30% da propriedade, no caso de uso para plantio de espécies florestais com técnicas de manejo ambiental.
Na Amazônia, atualmente, é lícito desmatar 20% de uma propriedade, o restante é considerado Reserva Legal, área protegida por lei. A proposta prevê ainda que as áreas florestais desmatadas na Amazônia poderão ser replantadas não apenas com espécies nativas, mas também exóticas, como dendê e outras plantas de uso comercial. Ambientalistas chamam o projeto de floresta zero, pois entendem que ele amplia e legaliza o desmate, e sustentam que a proposta atende aos interesses da bancada ruralista e do setor dos biocombustíveis.
Os deputados da comissão, no entanto, negam qualquer pressão para aprovar a matéria e dizem que na realidade estão amarrando o desmatamento, uma vez que, mesmo que ocorra a ampliação das áreas já devastadas para exploração destinadas à agricultura ou à pecuária, não pode haver novas agressões. O relator do projeto, deputado Jorge Khoury (DEM-BA), rechaça a idéia de que as mudanças estimulam o desmatamento. Khoury argumenta que um dos objetivos é incentivar os proprietários de terra a recuperarem suas reservas legais mediante uma alternativa financeira.
O deputado afirma que a medida que permite a plantação de espécie exóticas tem a aprovação da Embrapa.
– Temos argumentos técnicos de que muitas espécies exóticas surgem de nativas e, portanto, não causam nenhuma agressão ao meio ambiente local – destaca Khoury.
Outro ponto polêmico em discussão, mas que ainda não é consenso, estabelece uma definição mais branda para as áreas de proteção permanente (APPs). Pela proposta, somente áreas de mata atlântica acima de 850 metros de altitude seriam consideradas APPs. Valdir Colatto explicou que foi contra a aprovação do projeto do novo código por causa da definição legal sobre a Mata Atlântica, segundo a qual áreas com altitude acima de 850 metros devem ser de proteção permanente (APPs). Alguns parlamentares argumentam que a proposta descaracterizaria alguns territórios.
– Com este novo critério para a regulamentação da Mata Atlântica, pretende-se fazer um ato do Conselho Nacional do Meio Ambiente, dizendo que campos altos, que devem ser destinados às APPs, são aqueles com até 850 metros. Santa Catarina perderia 32% do seu território, se isso acontecesse – afirma o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).
Sem força
O relator acredita que esta sugestão não ganha força para ser aprovada, mas diz que ainda analisa as indicações dos deputados favoráveis.
– Estamos trabalhando com cautela. A sociedade pode ficar tranqüila que não haverá prejuízos para algum para o nosso meio ambiente. Estamos tentando controlar uma situação que não tem como ficar pior – afirma Khoury.


Jornal do Brasil Alívio em Belford Roxo, problema na Barra da Tijuca
Atendimento no Hospital da Aeronáutica cresce com transferência de tenda
Felipe Sil

A transferência de uma tenda de hidratação no Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, para Belford Roxo, na Baixada Fluminense, significou um alívio para a população da Baixada Fluminense. Porém, ao mesmo tempo fez com que o número de pacientes com sintomas de dengue no Hospital de Campanha da Aeronáutica, na Barra, aumentasse em 50%. Enquanto no sábado o local recebeu 258 pessoas, ontem o estabelecimento improvisado das Forças Armadas quase teve a sua capacidade, que é de 400 pessoas, atingida.
Com isso, o prazo final para o término das operações – 31 de maio – pode ser estendido. A expectativa da Aeronáutica era de que o número de pacientes diminuísse a tal ponto que o hospital pudesse ser fechado até antes do final do próximo mês.
O segurança Fábio Zeferino da Silva, de 29 anos e morador do Pechincha, em Jacarepaguá, estava com dores no corpo e nos olhos, mas não pôde ir no local em que sempre era atendido.
– Eu já tinha ido para a tenda de hidratação no Retiro dos Artistas algumas vezes e ali era diagnosticado. Como decidiram terminar com aquilo, agora vim para o hospital porque disseram que o trabalho é muito bom – diz.
Queda interrompida
O aumento do atendimento no Hospital de Campanha da Aeronáutica interrompe a série de duas semanas seguidas de queda nos números de pacientes com sintomas de dengue no local. Nos primeiros dias de operação, o limite da capacidade do estabelecimento era atingido por volta de 12h. Ontem, nesse horário, o hospital só havia atendido 90 pacientes.
No início do mês, 60% das pessoas por dia, em média, eram diagnosticadas com dengue. No no fim de semana, apenas 28% dos pacientes estavam realmente com a doença. A grande maioria, segundo os médicos, portava algum tipo de virose.
– O número de pessoas que procuram os postos de triagem diminuiu consideravelmente desde o início das nossas operações aqui na Barra. Só que agora muitos que iriam para a tenda de hidratação de Jacarepaguá estão vindo para cá. Esse movimento, portanto, deve voltar a aumentar um pouco nos próximos dias – revela a tenente Fany Veiga, responsável pelos postos de triagem.
O atendimento, segundo os pacientes, não foi afetado pelo maior número de pessoas com sintomas de dengue no hospital.
– Meu filho está sendo muito bem tratado. Há três dias que ele está com febre, diarréia e manchas na pele – conta a vendedora Deise Oliveira dos Santos, de 18 anos e mãe de Caio dos Santos, de apenas 11 meses.
Um detalhe curioso revelado pelas Forças Armadas é que o Hospital de Campanha da Aeronáutica já atendeu mais de 7 mil pessoas, o que corresponderia a mais de 10% dos atendimentos de dengue em todo o Estado do Rio de Janeiro.


Jornal do Brasil Analistas militares ou marionetes do Pentágono?
Dossiê revela: governo tem manipulado cobertura jornalística americana
David Barstow
The New York Times

No verão de 2005, o governo Bush enfrentou uma vigorosa onda de críticas sobre a polêmica prisão de Guantánamo. Em meio a novas denúncias de abusos contra os direitos humanos, especialistas eram convocados a ensaiar o fechamento do centro de detenção. Os peritos em comunicação do governo responderam rapidamente às críticas: logo colocaram um grupo de militares reformados em um jato, que voou para Cuba em um passeio cuidadosamente orquestrado.
Para o público, esses homens são membros de uma fraternidade familiar, presentes milhares de vezes na TV e no rádio como "analistas militares", com experiência o bastante para dar sua opinião sobre os mais importantes assuntos da nação.
No entanto, escondido por trás dessa aparente objetividade, há um verdadeiro aparelho manipulador de informações do Pentágono. Em outras palavras: esses analistas são usados em prol de uma cobertura jornalística favorável à performance da administração Bush nesses tempos de guerra, aponta um dossiê preparado pelo New Tork Times. O material revela 8 mil páginas de mensagens eletrônicas, transcrições e gravações que descrevem anos de reuniões secretas, viagens ao Iraque e ao Gantánamo, e um extenso relatório esmiuçando os pontos da operação do Pentágono.
Esses registros mostram uma relação simbiótica, onde a habitual linha divisória entre governo e jornalismo foi apagada. Documentos internos do Pentágono muitas vezes se referem aos analistas militares como "multiplicadores da mensagem da Força" e "representantes", incubidos de propagar o discurso do governo para milhões de americanos, "na forma de suas próprias opiniões".
O esforço, que começou durante a Guerra do Iraque e que continua nos dias atuais, tem tentado explorar lealdades ideológicas e militares, e também uma poderosa dinâmica financeira: a maioria dos analistas têm vínculos com as empresas do ramo militar, às quais muito interessam as diretrizes de guerra.
Ao todo, são cerca de 150 militares contratados, seja como lobistas, executivos ou consultores. As empresas envolvidas abrangem pesos pesados da defesa, mas também pequenas companhias, todas parte de um vasto conjunto que arrecada centenas de bilhões de dólares nos negócios militares gerados pela administração da guerra e do terror. Trata-se de uma competição furiosa, na qual uma informação privilegiada é altamente valorizada.
Cavalo de Tróia
Gravações e entrevistas mostram como a administração Bush tem usado o seu controle sobre a informação em um esforço para transformar os analistas em uma espécie de "mídia Cavalo de Tróia" – um instrumento destinado a plantar o terrorismo na cobertura de redes de rádio e TV.
Analistas têm participado de centenas de sessões privadas com altos dirigentes militares, incluindo oficiais com significativa influência sobre contratações e questões orçamentárias, revelam as gravações. Eles também participaram de visitas ao Iraque e tiveram acesso a informações secretas.
Vários analistas negaram veementemente que tenham sido cooptados ou que interesses comerciais tenham influenciado seus comentários na mídia. Alguns, inclusive, alegaram que têm usado seu espaço na imprensa para criticar a condução da guerra. Outros, no entanto, expressaram remorso por participar disso que consideram "um esforço para ludibriar o povo com uma propaganda disfarçada de análise militar independente".
Enquanto isso, o Pentágono justifica seu envolvimento com os analistas militares afirmando que foram fornecidas somente informações factuais sobre a guerra.
– Nossa intenção é apenas informar o povo americano – afirmou o porta-voz do Pentágono, Bryan Whitman.


O Estado de São Paulo Lula e ONU querem conferência de emergência
Jamil Chade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ONU chegaram ontem a um acordo para a realização de uma conferência de emergência para discutir a situação no Haiti. Durante visita de Lula a Gana, o presidente brasileiro conversou durante uma hora com o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon. “Pedimos ao Brasil que continue comprometido no Haiti”, afirmou Ban. Ainda não há data nem local escolhidos para a conferência. A crise de alimentos levou a violentos protestos nas ruas da capital haitiana, Porto Príncipe, há algumas semanas. Em meio ao clima tenso no país, o Brasil teme que seus soldados sejam obrigados a reprimir a população do Haiti, o que poderia prejudicar a imagem da missão brasileira.
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